2019 será um ano de consolidação do mercado imobiliário de luxo. Os especialistas confirmam que o facto de Portugal ser considerado a nível internacional um destino atrativo para investir, tem originado maior procura por parte dos investidores estrangeiros. São cada vez mais as nacionalidades que procuram uma casa em Portugal e o Brexit não tem tido influência no número de britânicos que continuam a investir no nosso país. Os preços vão continuar a subir mas com mais moderação e em alguns locais pode mesmo vir a descer. Ao Diário Imobiliário responderam que este ano, apesar de algum abrandamento continuará a ser de ‘luxo’ e um facto importante, é que os portugueses estão de regresso a este segmento de mercado.

Rafael Ascenso, diretor-geral da Porta da Frente/ Christie’s International Real Estate, afirma que será um ano de consolidação.

A nossa expetativa é que a procura se vai manter, principalmente por parte do mercado estrangeiro. Se não houver mais alterações no quadro legal e fiscal, poderemos captar novos mercados. Continuam a surgir novos produtos para este segmento que irão satisfazer a procura. É portanto muito natural que os preços estabilizem e que o mercado se consolide nos patamares atuais.

Também para Vasco Pereira Coutinho, diretor-geral da Lince Real Estate, o mercado imobiliário irá continuar a atrair muito cliente, quer nacional quer internacional. “Existe no entanto um maior cuidado com os preços a serem praticados. No estrangeiro existe já uma mensagem a correr de que Lisboa está cara e que é preciso ter cuidado nas escolhas”, alerta o especialista.

Filipe Lourenço, CEO da Private Luxury Real Estate, admite que 2019 poderá trazer uma procura quantitativamente inferior, mas mais qualificada e de valores mais elevados. “Sentimos uma procura contínua por imobiliário no segmento de luxo e continuam a concretizar-se muitos bons negócios em imóveis acima de um milhão de euros e em high end properties”. Acrescenta ainda, que mesmo que se continuem a bater recordes no valor dos imóveis vendidos, a verdade é que Lisboa apresenta preços por metro quadrado muito abaixo das principais capitais europeias ou de grandes cidades nos Estados Unidos da América, “com a vantagem de uma elevada qualidade de construção e acabamentos, mas, sobretudo, pela diversidade de imóveis disponíveis, que vão desde apartamentos com arquitetura e tecnologia de vanguarda, a palacetes envoltos em história”.

De facto, para Fernando Goldman, diretor da Consultan, é importante analisar o que se entende como imobiliário de luxo de forma segmentada. “Nas grandes cidades, como Lisboa, Cascais e Porto, o luxo tem suas limitações sob o aspeto da criatividade, por serem locais há muito tempo consolidados. Assim, nestes casos, o luxo define-se essencialmente pela localização e altíssima qualidade de construção. Estes são os pilares que classificam os projetos urbanos no mais alto segmento do mercado”. Explica ainda que nos casos onde os projetos são criados “como se partissem de uma tela em branco, como se vê nas zonas do interior do país, podemos esperar o que há de mais moderno nas tendências de luxo. E nestes casos, o mote será a integração máxima do ser humano com a natureza, em comunhão com o propósito único do bem estar, e com o menor impacto ambiental que se pode ter nos dias de hoje. Temos acesso a projetos de alguns clientes, que ainda estão em desenvolvimento, que trarão o estado-da-arte da arquitetura sustentável. Este será o drive do luxo em Portugal neste ano”.

Quanto à subida de preços, o responsável avança que devem crescer na ordem dos 2 ou 3%, em média e que estamos numa altura em que o mercado se encontra consolidado e maduro.

Quanto à subida de preços, o responsável avança que devem crescer na ordem dos 2 ou 3%, em média e que estamos numa altura em que o mercado se encontra consolidado e maduro.

Todos são unânimes em afirmar que o mercado não deve sofrer grandes alterações. Rafael Ascenso, admite que é provável que se assista a um comportamento diferente dos preços de zona para zona. “Nas regiões onde há mais oferta ou onde os preços atingiram valores mais altos, é natural que haja ajustes para baixo, mas ainda existem muitas zonas com escassez de oferta ou que não foram tão procuradas durante os últimos anos, e aí poderemos assistir a um aumento de preços”, salienta. Filipe Lourenço especifica, “relativamente às zonas de maior potencial de subida do preço por metro quadrado, identificamos, desde logo, em Lisboa, a envolvente ao eixo da Av. Almirante Reis e a zona ribeirinha de Poço do Bispo, Xabregas e Braço de Prata, bem como as sempre desejadas Avenidas Novas. Quanto a descidas de valores, potencialmente, o bairro de Alfama e outros congéneres, onde a recuperação dos edifícios foi muito voltada para o arrendamento de curta duração. Com a alteração da lei, as casas existentes, na sua maioria não têm tipologias que se adeqúem a famílias, pelo que o valor potencialmente poderá descer”.

Estrangeiros querem vista sobre Lisboa

Quanto ao que mais procuram neste mercado, Vasco Pereira Coutinho, refere, “na Lince o que mais nos pedem são apartamento com vista. Lisboa é uma cidade que merece ser usufruída e, nada melhor do que as extraordinárias vistas para tirarmos o maior partido possível da cidade. Em termos de tipologias, as mais procuradas são os T2 e T3 com vista e/ou jardim. Na zona de cascais, as moradias são as mais procuradas, idealmente com pelo menos três quartos”.

Filipe Lourenço, acrescenta também que no segmento de luxo, “os imóveis com interesse histórico, como palácios, palacetes ou casas senhoriais, cujos valores se situam acima dos 20 milhões de euros. É dos produtos mais cobiçados neste segmento”. O que é igualmente procurado são as moradias térreas com 600 a 700 metros quadrados, de cinco suites e valores acima dos três milhões de euros, com localizações altamente exclusivas, como Quinta Patiño, Quinta da Marinha ou Herdade da Aroeira. “Um terceiro tipo de imóvel, desta feita, citadino. Apartamentos em zonas nobres da cidade de Lisboa, com tipologias de T3 a T5, estacionamento e vista rio, cujos valores oscilam entre 1 a 2,5 milhões de euros”, salienta.

Turcos, nigerianos e israelitas também estão a investir

Os estrangeiros continuam a ser os principais clientes deste mercado. Entre as habituais nacionalidades, tais como os franceses, ingleses, brasileiros, chineses, sul-africanos, norte-americanos e espanhóis vemos a entrada com maior fluxo de outras nacionalidades. Tais como nigerianos e cidadãos de países como a Turquia e Israel. Também os portugueses estão de regresso a este segmento na opinião dos especialistas.

Fernando Goldman acrescenta que o aumento do investimento estrangeiro é muito mais perceptível no lado da promoção e desenvolvimento imobiliário. “E esta tendência irá aumentar com a figura das SIGI- Sociedades de Investimento e Gestão imobiliária, ou os famosos REIT, que deverá atrair ainda mais capital estrangeiro”, assegura.

Quanto ao efeito do Brexit, Vasco Pereira Coutinho adianta que, uma vez que se defina por completo o que se vai passar com o Brexit, o inglês pode vir a ser um cliente mais comum em Portugal. “Ainda existem muitas incertezas no ar e a Libra é muito provável que se desvalorize, levando esta procura a acontecer, mas não numa grande escala”, admite.

Fernando Goldman garante que na Consultan não sentem nenhum movimento brusco dos ingleses neste sentido.” Creio que, por enquanto, ainda sejam só perspetivas, mas a realidade não mudará da noite para o dia. Ainda é cedo para apostarmos numa tendência”.

Rafael Ascenso, também corrobora e considera que ainda é cedo para ter uma noção clara. Na Porta da Frente/ Christie’s , “em 2018 realizámos mais vendas do que em anos anteriores mas não se pode dizer que esteja a haver uma invasão inglesa ou de cidadãos residentes em Inglaterra. Acreditamos que isso irá depender das condições do Brexit”, conclui.